Sonhos de vidro.

22.06.13

 

Capitulo 1

 

Infinito

 

Eu estava em um corredor amplo, era possível ver as pinturas do teto refletidas no chão, tamanho era o brilho e limpeza do piso. As janelas eram largas e altas, pouco mais de dois metros de altura, raios de sol (é o mais perto que consigo descrever a luminosidade) entravam sem cerimônia por elas.

Andava vagarosamente, tentando entender onde estava, sentia um aroma muito bom no ar, olhei por uma das janelas, era possível ver montanhas ao longe, e algo parecido com um mar ou um lago. Caminhei mais um pouco e me deparei com uma porta. Dois cavalos, um de cada lado enfeitavam ela, o verniz parecia novo, entre os dois animais estava uma árvore muito grande, os desenhos das raízes pareciam saltar dela, mas uma coisa me intrigou, a maçaneta estava no lugar da chave e a chave no lugar da maçaneta, ignorei a cena estranha e girei a maçaneta.

A sala era pequena, paredes rabiscadas, parecia latim, através de uma pequena janela (clarabóia na verdade) entrava a luz. Não havia móveis, apenas um porta retrato com a foto da própria sala, o estranho era que na foto não tinha porta alguma na sala, dei de ombros. Não existia outra porta dentro da sala, naturalmente voltei por onde entrei, ao sair já não estava no corredor, mas em um em grande pátio, com uma bela fonte. Meu cérebro ainda estava tentando entender à situação, mas minhas pernas já estavam me levando para a curiosa fonte.

“Espaço” pensei.

Nunca eu vi este tema em uma fonte, era a via láctea, moldada em ferro e prata, o pequeno tanque da fonte era formado de uma maneira que lembrava estrelas, todo furado, com uma água límpida correndo por baixo. Minha maior surpresa veio depois, avistei um senhor sentado em um banco logo atrás da fonte.

Ele segurava um papel, e parecia não gostar do que estava vendo.

- Senhor? Por gentileza, pode parecer estranha minha pergunta, mas que lugar é este?

O homem calmamente me olhou e disse:

- Melhor seria saber para onde vamos rapaz, você está em alguma parte do universo, não ensinam isto na escola?- respondeu.

- Sim, estamos no universo, o senhor está certo, aliás, qual o nome do Senhor?

– Voutru – respodeu, sem tirar os olhos do papel.

- Senhor Voutru, quero saber que lugar é este, lembro de estar no elevador do meu prédio e ouvir um barulho estranho, quando a porta abriu,eu estava em um corredor...

- Sorte sua se lembrar de como veio parar aqui – disse o Voutru - Eu não me lembro de nada amigo!

“Pelos mares, só quero saber onde estou” pensei.

- Me ajude filho, olhe este papel – disse o senhor Voutru, com um toque de nervosismo na voz.

- Comecei a ler:

“São vagos os ventos, são tristes as memórias, não abra a porta, acerte a

hora”.

Antes de poder pensar no que li, Voutru começou a falar.

- Poetas! São loucos que publicam livros, deve ser por isto que não são

levados aos manicômios!

KABUM!!!!

Um barulho ensurdecedor, tudo ficou escuro. Logo um cheiro forte de enxofre tomou conta do ar, o céu ficou vermelho, grandes jatos de lava eram expulsos da terra com violência, quando pensei em correr, percebi algo estranho.

- Veja filho! Que espetáculo! - Voutru estava com os olhos brilhando, a lava apenas subia, desaparecia entre as nuvens. O vulcão estava relativamente perto, o pátio onde estávamos era grande, cercado por muros de pedras, quando apoiei para olhar para baixo não entendi o que via, parecia a vista da janela de um avião, só que a noite.

A lava parou em poucos segundos, mas o cheiro ainda ficaria mais um pouco.

-Senhor Voutru, que névoa estranha é aquela? - apontei para baixo, sem olhar

ele respondeu.

- Costumo chamar de noite.

- Mas ainda é dia!

- Sim, aqui em cima, mas lá em baixo já está escuro rapaz.

"Ou estou sonhando ou estou morto" Pensei.

 

Mais uma vez perguntei

- Onde estamos? Que lugar maluco é este?

Voutru prontamente respondeu:

- Pergunte para Você!

- Eu? Como assim?

- Não, para Você, ele não fala muito com Eu, apesar de serem irmãos, só existe um pequeno detalhe, na verdade grande, ele fica no meio dor mar.

As palavras de Voutru apertam o nó na minha cabeça, sentei no banco e fechei os olhos, adormeci.

Chegamos! gritou Voutru. Abri os olhos e estava no meio do mar, mas...

- Mar de vidro - disse Voutru.

O reflexo do céu no mar era incrível, parecia que estávamos flutuando. "Só posso estar sonhando" pensei. Fechei os olhos e a abri, Voutru estava me olhando.

- Você está bem filho? Perguntou

- Não, como vim parar aqui? Que lugar é este?

- Guarde suas perguntas para Você.

Não sabia se Voutru dizia para eu guardar minhas questões ou se era para guardá-las para Você, não perdi tempo perguntando. Caminhamos por horas, não se via nada no horizonte, apenas o céu refletido no mar, não abri a boca par perguntar mais nada, estava esperando acordar na minha cama, seria um ótimo sonho para contar no trabalho.

Não acordei, ao longe vi um navio, gigante. -Lá! Disse Voutru - Você está lá.

O navio tinha três andares, estava conservado, mas era visivelmente muito antigo. Canhões estavam apontados para os dois lados. Alguém gritou

“Homem ao mar” uma longa corda desceu pelo lado esquerdo do navio, começamos a subir.

- Voutru!

- Meu amigo Dlompem!!

- Mas um grito interrompeu toda aquela fraternidade.

- Ei! Não estão vendo que o piso está brilhando! Limpem estes sapatos!

Gritou um homem com um balde e alguns panos.

Olhei para o piso, realmente deixamos um rastro de água.

- Perguntei para quem quer que fosse.

- Como é possível isto? Andamos sobre vidro o tempo todo!

Imediatamente olhos se voltaram para meu lado, senti uma mão repousar nos

meus ombros e dizer:

- Estrangeiro, chamamos aquilo (apontou para baixo) de mar, e ele é molhado.

A noite caia rapidamente, era incrível o reflexo do céu de dia, mas agora as estrelas disputavam cada espaço do mar, fazendo um espetáculo de luz e algumas cores tímidas. O grande salão de jantar estava lotado, eu não tentava entender mais nada, apenas queria encontrar este tal de Você, e fazer um dia de perguntas para ele. Fomos levados para uma cabine, Voutru não entrou, foi procurar por Você.

Sentei na cama, que reagiu rangendo fortemente. Na parede observei três quadros, um cavalo vermelho na praia (esquerda) no outro quadro outro cavalo, este era cinza, estava em uma rodovia (direita) e no último quadro, uma enorme árvore, pintada no céu (meio). Imediatamente lembrei-me da porta. Foi quando percebi um pequeno papel no chão, junto ao vão da porta da cabine "Fuja estrangeiro, árvore - caixa 24 horas".

Guardei o pedaço de papel no bolso, batidas na porta.

- Estrangeiro! Venha! Hora da janta.

Subimos para o segundo andar, o salão ocupava 1/3 dele, apesar do tamanho, quando entrei vi apenas cinco pessoas, conhecia apenas Voutru. Ele apontou uma cadeira ao lado dele, sentado na cabeceira um homem muito bem vestido, ele sorria, enquanto conversava com uma bela mulher, sentada ao seu lado. Assim que minha presença foi notada o homem se virou para mim e disse:

- Bem vindo estrangeiro, em nome de todos do mar, coma conosco.

Nunca gostei muito de peixe, mas seria injusto dizer que a comida estava ruim, todos comiam e bebiam, pareciam não se importar muito comigo, lembrei do bilhete e decidi fugir.

Disse a Voutru que queria ir ao banheiro (desculpa universal para fugir)

 

 

O banheiro ficava no fundo do salão, totalmente oposto a saída, entrei no banheiro, fiquei apenas o necessário para convencer e sai. Ao lado do banheiro ficava uma escada, minha melhor chance, olhei para o salão, ninguém estava olhando em minha direção, resolvi subir.

- Por que este homem ainda está livre Voutru? – perguntou a rainha.

- Perdão minha senhora, eu estava tentando tirar alguma informação dele.

- Voutru, não seja tolo, você sabe que sou eu quem tira informações dos estrangeiros, encontre ele, e diga que quero conversar com ele, diga que vou tirar todas as suas duvidas, alías você não perguntou o nome dele não é?

- Pois não minha rainha, vou encontrá-lo! Não perguntei o nome dele.

Voutro foi até o banheiro, não encontrou ninguém.

O segundo andar nada mais era que um enorme corredor, cheio de portas, tentei abrir as primeiras quatro, trancadas, ouvi passos no corredor, meu coração parou. Corri para chegar ao final do corredor, onde eu via uma curva, ao passar pela curva havia uma porta entre aberta, ouvi um sussurro.

- Estrangeiro! Rápido!

Quando entrei pela porta, um jovem, deveria ter seus dezesseis anos, apontou um alçapão no chão, entrei por ele.

- Voutro tentava abrir todas as portas, até chegar ao final do corredor, mas encontrou apenas mais uma porta trancada. O garoto disse para eu seguir rastejando, foi o que fiz, o estreito corredor nos levou até um quarto.

- Obrigado garoto! Foi você quem me deixou o bilhete?

- Foi, estrangeiro.

- Não me chame assim, meu nome é...

- Não diga! Gritou o garoto.

- E por que não?

 Tirando as mãos dos ouvidos o garoto respondeu.

- Se você disser, e a rainha descobrir, ele me mata.

 

 

 

 

Quando abri a boca para perguntar quem realmente era essa rainha, a porta do quarto se abriu.

- Vamos! – Um homem armado apareceu na porta, a julgar pela roupa, parecia um capitão ou alguém com cargo de comando do exercito.

- Me chamo Nikkolai estrangeiro, apenas me siga, sem perguntas.

Logo estávamos fora do navio, um pequeno bote já estava nos esperando para partir, o garoto acenou se despedindo, estava com uma expressão de missão cumprida no rosto.

Quando nosso bote já estava longe do navio, Nikkolai  disse:

- Aposto que disseram que Você responderia todas as suas perguntas.

- Sim, Voutru me disse isto.

- Voutru, velha serpente traidora – respondeu Nikkolai.

O que me assustou não foram as palavras, mas a maneira que foram ditas, Nikkolai não gritou, mas cada silaba que saia de sua boca estava carregada de ira.

Após horas navegando, deslizando pelo mar, comecei a enxergar um ponto de luz no horizonte.

Estamos chegando estrangeiro!

Não me atrevi a perguntar – Onde?

Quando chegamos a terra, mais precisamente em um deserto, havia apenas um pequeno lampião acesso, que prontamente foi apagado por Nikkolai, a lua estava fazendo seu trabalho de maneira esplêndida, não teríamos problemas para enxergar. Próximo dali avistei uma pedra com uma corda nela, a corda prendia um cavalo.

- Suba estrangeiro, vamos para Petra, lá você vai ter algumas perguntas respondidas e muitas outras para responder.

Pouco tempo depois avistei luzes no horizonte, deveria ser Petra.

- Já estamos perto Nikkolai? Aquelas luzes são de Petra?

- Estamos perto, mas as luzes não são de Petra.

Quando ia perguntar de onde eram, Nikkolai antecipou minha pergunte

- Sem perguntas estrangeiro.

Parecia um posto de controle, algo do tipo, homens armados estavam me olhando com aquele ar de desconfiança. Entramos em uma pequena caverna, lá encontramos Você.

- Por que você não me disse Nikkolai?!

Eu estava surpreso, Você estava na minha frente, lendo algum livro.

- Estrangeiro, sei que este não é seu nome - Você sorriu – mas não diga ele ainda, apenas ouça.

- Sendo o universo infinito, não é possível medir o tempo, dias, datas e horas são apenas linhas guias que usamos, seguindo esta linha de pensamento, podemos dizer que o passado, presente e futuro não existem.

- Muitos sonham com as famosas viagens pelo tempo, entendendo que o universo coexiste com ele mesmo, se existe alguma possibilidade de viagem no “tempo” não vamos para o passado ou futuro, não vamos para lugar algum, apenas entramos em outra realidade, dentro do nosso tempo, estamos no mesmo dia, humanamente falando, dia zero humano em frente, assim caminhamos, o que você está passando é a transição entre estes paralelos, pode demorar algum tempo, mas seu corpo e mente vai compreender onde você está.

- Estar em todos os lugares não é natural para mortais.

Quando Você acabou de falar minha cabeça estava um nó, percebendo isto ele apenas falou

- Descanse estrangeiro, amanhã será o dia de você responder algumas perguntas.

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por mariofernando às 16:22

Ela não tinha nome

02.06.13

 






Ela vagava como que levada pelo vento...

Seus cabelos (os dela) faziam uma dança...

Dançavam no seu (no dela) próprio ritmo...


Seus passos eram leves, mas firmes...

Seu destino era lugar nenhum e todo lugar...

Seu perfume era a soma de todos mais um...

Sua voz doce, como mil favos de mel...


Ela cantava algo sobre todos nós...

Seus olhos eram como pedras preciosas de uma cor jamais vista...

Sua pele reluzente, semelhante aos raios do sol, refletidos sobre um lago calmo...

Todos os dias me pergunto, era real? Pois me olhava, mas não para mim...

Olhava através de mim, olhava meu ser...minha alma...


A grande questão é se a vi ou se sonhei...

Se a ver novamente, por favor, não me acorde...

A não ser que seja um acorde de violão...

publicado por mariofernando às 23:23

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